domingo, 5 de abril de 2015

Te esperando...

Desde que te encontrei pela primeira vez, só consigo te enxergar na minha vida. Encontrei finalmente a paz que desejava. Preenchi finalmente o vazio que me rasgava por dentro. Te vejo nas cores da manhã e em cada pôr do sol sinto saudades de casa. Posso ouvir sua voz a me dizer que anseia pela minha companhia. Logo eu, pobre, fraco. Logo eu, que falhei tantas vezes, que te rejeitei tantas vezes, que esperei merecer esse amor que sempre tive de graça. Não tenho como dizer o quanto sou grata. Não há palavras, sons, nem melodias suficientes. Mesmo assim tento descrever uma saudade de quem eu ainda não vi, descrever o meu sonho principal, o meu anseio, que é te encontrar e viver contigo, na sua casa, para sempre. Você deu a vida por mim, e eu dedico minha vida a ti, mesmo que seja perfurada pelos pecados que me permito cometer, só pra então reconhecer novamente que preciso de ti. Que dependo de ti. Que você é a solução. Que você é tudo. Virei estrangeiro por aqui. Nada deste mundo me completa, nada pode fazer o que você faz. Então eu acendo meu lampião e fico à espera do meu noivo. Espero por ti, Jesus, espero pelo dia em que virá me buscar. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A de amizade.

Ela tinha um sorriso arrebatador, mas possuía olhos cansados. Só ela e Deus sabiam o quanto já havia sofrido e ela realmente não tinha vontade de compartilhar o sofrimento com todo mundo. Era única, singular. Ficava agitada e bobalhona quando algo realmente a alegrava e não tinha medo de chorar quando seus olhos capturavam cenas que desagradavam seu coração. Ria sem parar quando era tomada por uma ansiedade súbita e tinha aquela mania de pentear seus longos cabelos quando estava nervosa.

Uma amiga tão leal que algum desavisado poderia confundir sua lealdade como algo sufocante.  Mas é porque ela está sempre lá. Se irrita com as pessoas, se magoa de verdade, mas nunca deixa de querer perdoar ou ser perdoada. É esquisita quando se trata de meninos, não demonstra direito seus sentimentos. Ela gosta, de verdade, mas é necessário ultrapassar pelas camadas e escudos protetores para alcançar o coração. E o seu coração, a propósito, ela não entrega a qualquer um. Tem que ser alguém que realmente mereça.  

E, sabe, ela têm uma espontaneidade que poucos possuem. Quando está presente faz diferença e quando não está faz falta.

Talvez ela ame demais, ou se entregue demais às vezes, mas ninguém sabe disso. Ela fala inglês, apesar de não ter muita certeza disso ainda. Ela gosta de barbas. Desenha. Ela é elegante. Sério... Quantas pessoas você conhece que conseguem ser elegantes, de verdade? Dá pra contar nos dedos. E é por isso que eu gosto tanto dela. Porque é raro encontrar pessoas que têm personalidade em um mundo em que todo mundo é igual.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mais um texto sobre você

Observo a lua cheia e me lembro do dia em que você me levava pra casa e dizia que quando eu estivesse longe, em outro país, você olharia para a lua e se lembraria de mim. Me sinto perdida nesses meus versos incompletos e fico imaginando se você ainda olha pra lua e se lembra de mim.

Meus pensamentos estão espatifados como as nossas fotos e os seus cartões estiveram ontem no chão do meu quarto.  Hoje meu quarto está escuro, iluminado apenas pela luz lúgubre da lua. Enquanto minha mente repassa alguns momentos que estão recheados de eu e você, meus olhos escorrem e escuto canções que conseguem traduzir o que estou sentindo.

Me sinto uma louca às vezes. Estou com a mania de te procurar em outros rostos, outros abraços, outras vozes, outros perfumes... Mas nunca é você.
Queria que você soubesse o quanto é frustrante sonhar com algo por tanto tempo e ver o sonho ser perdido.

Gostaria de poder te ouvir dizer que me ama mais uma vez. Mas aquele eu te amo sincero, caloroso. Aquele que fazia eu me sentir a mais amada do mundo de verdade.
Gostaria de poder olhar nos teus olhos e ver o seu sorriso novamente. Gostaria de poder te observar dormir e fazer carinho nas suas costas. Eu queria te abraçar e não soltar mais, sentir aquele abraço regado a perfume masculino e cheiro de pós barba. Aquele seu abraço, que tirou a graça de todos os outros.
Poucas pessoas sabem abraçar como você.

E eu espero que a próxima garota pra quem você disser um eu te amo sincero saiba valorizar isso. Espero que ela ria com o seu sorriso. Espero que ela não se irrite tanto com você como eu fazia. Espero que ela se interesse pelo seu dia, que ela valorize a sua família. Que ela fique ao seu lado quando você chorar ou quando você passar por momentos de profunda escuridão, assim como eu fiz. Espero que ela seja uma princesa. Mas não posso querer que ela te chame de príncipe. Apesar de saber, com toda a certeza, que você não sente da mesma forma, eu queria que só eu tivesse tido a oportunidade de te chamar assim.

Certas coisas, eu gostaria que fossem só minhas. Como isso de te chamar de príncipe, ou como nossas brincadeiras de fazer cócegas um no outro e essa sua mania de querer me provocar.
Invente outras brincadeiras para a sua próxima garota. Deixe essas pra mim, por favor. Quero ter sido única na sua vida. Quero ser alguém de quem você se lembre com um sorriso no rosto.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Diálogo.



O telefone toca. É você.
Meu coração pula. 
Falamos de trivialidades. Contamos as novidades.
Pra mim é como se a semana que passamos sem nos falar foram anos. Sou a que mais sente falta.
- Sonhei com você esta noite - você diz, no final da conversa.
- Eu também sonho com você... - faço uma pausa, ainda sem calcular o risco das minhas palavras e tomando coragem pra dizer as seguintes. - Todos os dias, mas eu sonho acordada.
Minhas lágrimas escorrem logo depois de falar. Bem a tempo de não parecer que transbordo enquanto falo.
- Ah. - Você diz, meio sem graça.
E eu me despeço e choro. Me perguntando onde foi parar o meu juízo e onde foi que você deixou aquele amor que antes sentia por mim.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Princesas de allstar.

Conheço princesas que trocam um salto alto por um tênis bem gasto. Conheço princesas que preferem livros ao invés de vestidos, filmes em casa ao invés de bailes. Elas se irritam em ter que passar maquiagem e escolhem receber uma rosa ao invés de um presente caro. Preferem uma frase vinda do coração a um lindo verso decorado.

Conheço princesas que não acreditam em príncipes encantados e nem esperam por eles. Algumas delas nem sabem que são princesas, ou não admitem, mas mesmo assim representam a realeza se importando com os outros, ajudando os animais e brincando com criancinhas. Elas saberiam administrar um reino se quisessem. Sabem ser simpáticas e divertidas, mas ao mesmo tempo não são falsas. Sabem como e quando dizer a verdade.

São princesas que pintam o cabelo de cores diferentes, que não vivem sem música e que, mesmo tendo passado da idade, gostam de correr na rua e brincar de esconde-esconde de vez em quando. Elas não são as mais populares da escola, mas quando alguém precisa de ajuda pra estudar são delas que as pessoas se lembram, apesar de serem bagunceiras e andarem com a turma do fundo. Elas gostam de desenhos animados e vídeo games, preferem calças ao invés de saias e às vezes têm até uma linguagem meio de menino.

O que mais me admira nessas princesas é que mesmo sendo desse jeito meio diferente, elas não deixam de ser princesas. Elas não vão confessar isso, mas não deixaram de gostar de contos de fada, apesar de muitas vezes deixarem de acreditar neles. E também são românticas, do jeito delas. Algumas ainda não sabem demonstrar seus sentimentos, e você pode confundi-las como meninas grossas, ou esquisitas, mas elas são amigas verdadeiras. Não vão se importar com a sua aparência ou se você é rico ou pobre.
Saiba que você pode adorá-las ou detestá-las, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Mas, cuidado! Quando elas amam, elas amam mesmo. Quando odeiam, odeiam e quando confiam é pra valer.  É tudo assim. Intenso.

Agora... você pode até não acreditar ou ficar em dúvida se essas garotas são mesmo da realeza. Mas pra mim elas são princesas de verdade, são princesas reais. E é isso que importa.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Frio assim.

Era o seu jeito de olhar. Seu brilho nos olhos que me fazia viajar e romper as barreiras do tempo e do espaço. Era seu tom de voz macio e carinhoso, e suas palavras que poderiam até fazer mal a um diabético tamanha doçura. Era seu toque leve e a delicadeza de seu beijo na minha testa. Era a sua necessidade constante de me fazer entender que você me amava de verdade. Era sua preocupação comigo de querer saber onde eu estava e pra onde iria, se estava sozinha ou não. Era tudo isso que me mostrava o seu amor. Era isso que me fazia ter certeza de que o amor que você tinha declarado por mim, há tanto tempo existia mesmo.
Agora a realidade era outra. Uma realidade dura e cruel em que a preocupação só aparecia de vez em quando e mesmo me relembrando sempre seu amor com as já fatigadas palavras “eu te amo”, elas saíam robotizadas, sem aquele tom de voz específico. Palavras doces foram esquecidas e as conversas soam automáticas. Seus olhos opacos já não têm mais a mesma luz e vivacidade de antes. Agora esses olhos que sempre me diziam todos os seus segredos estão indecifráveis. Meu coração se destroça cada vez que me dou conta dessa distância que nos separa.
Um cartão perdido, uma pergunta que não foi feita, uma ligação ignorada, um livro que não é lido, um passeio que é sempre deixado pra depois. Tudo o que antes poderiam ser considerados apenas detalhes insignificantes, hoje ferem meu coração como lanças. Eu tento, juro que tento, de todas as maneiras te reconquistar, mas parece impossível. E há esse frio que ainda não está congelando, mas consigo sentir. Minha última medida desesperada é tentar mostrar minha infelicidade de maneira sutil, para o caso de você ter pena de mim. Mesmo assim ao que parece você não responde nem a isso. É certo que pena não é amor, mas pelo menos é algum sentimento, o que prefiro ao invés da indiferença que insiste em me trazer em seus olhos todos os dias.
Muito calor pode queimar. Muito frio pode congelar. Devíamos ter escolhido o meio termo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Uma longa viagem.


Era pressão de todos os lados. Tinha que ser boa madrinha de casamento, boa namorada, boa filha, boa amiga, boa dupla, boa profissional, boa estudante, até boa escritora e principalmente boa em esconder suas emoções. À medida que pensava em suas obrigações chegava à conclusão de que todo mundo tinha esses tipos de tarefas a cumprir. Era natural que cada um tivesse que cuidar pra fazer tudo de maneira correta. Contudo, mesmo sabendo que vários de seus amigos estivessem sofrendo quase que a mesma coisa, de maneiras diferentes, tinha a impressão latente de que estava no seu limite.
Tinha muitos medos e incertezas, mas o que mais a incomodava era a situação do seu coração. Relembrou vários momentos de seu namoro e quis saber como tudo aquilo tinha chegado a esse ponto. Pensava mesmo estar fazendo a coisa certa em se afastar por um tempo, mas não sabia se isso serviria pra recuperar o amor dele ou se serviria somente pra causar uma separação definitiva.
Naquele dia foi até bom que fosse sozinha no ônibus que a conduziria pra São Paulo. Tinha muito que pensar. Por várias vezes percebera que as lágrimas transbordavam e sabia que se pensasse muito no sorriso, no olhar e nos sonhos que tiveram juntos era previsível que derrubasse muito mais do que somente algumas gotas salgadas dos olhos. Tudo o que fazia era tentar não pensar em tudo. A distância entre eles era quase que imperceptível na frente das pessoas, mas era real. Uma distância que corroía seu coração, mas que a obrigava a sorrir quando tinha vontade de chorar e a forçava a dizer as respostas adequadas para as perguntas intransigentes. Está tudo bem? Quando vai se casar? E o seu namorado?
Observava a rodovia passar diante de seus olhos e finalmente conseguiu deixar-se levar pela embriaguez do sono, que pode dar-lhe de presente alguns minutos de inconsciência.
Quando acordou, desejou sofrer um acidente durante a viagem para poupar o sofrimento, mas isso não aconteceu.
As pessoas viviam dizendo que ela era uma péssima mentirosa, mas mal sabiam que era muito boa. Atuou o dia inteiro como a mesma garota sorridente e feliz que era e por vezes ela mesma acreditou no que fazia. Contudo, depois de se acomodar novamente no banco do ônibus, desta vez, a caminho de casa, as sensações e o nó na garganta voltaram com força. Em casa naquela noite, acabara por descobrir como era chorar até dormir.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Já fiz outros textos...

...sobre minha viagem ao reino Unido, mas não me importo em compartilhar mais um pouco. Foi a realização de um sonho. Tem momentos na nossa vida que são eternos. Observando as fotografias de um momento como esse, consigo quase que sentir novamente o que senti quando aconteceu. Liberdade, eu já disse. Aquele instante marcante da minha vida, uma situação que vivi sozinha, sem ninguém mais. Foi a prova de que a felicidade pode ser encontrada sem a necessidade de ter outro alguém do seu lado. Sinto cheiro da chuva tocando o asfalto gelado e posso até me lembrar da sensação das gotículas de água fria encostando na minha pele. Fecho os olhos e estou novamente na fila de entrada para a London Eye. Ansiosa pra chegar à roda gigante. As vozes de quatro garotas conversando em português me chamam a atenção. Elas reclamam da chuva dizendo que fizeram chapinha no cabelo. Não me importo com isso. Penso no quanto meu pai trabalhou por essa viagem e no quanto esperei por ela e me sinto feliz. Alegre, como me senti somente em raros momentos da minha vida. Difícil de explicar a sensação. Borboletas no estômago, nó na garganta, vontade de rir sozinha sem ter nenhum motivo especial, vontade de escrever sobre o que sentia, vontade de distribuir aquele sentimento. Se fosse descrever em cores seria meu momento arco-íris. Já no topo de Londres peço para uma londrina que estava conhecendo a roda, também pela primeira vez, tirar uma foto minha. Não consigo conter meu sorriso e não me importo em ficar bonita na foto. Só quero registrar aquela sensação pra não deixar que o sentimento passe. Esse é o registro que me faz viajar no tempo e no espaço. Que me leva de volta pra Londres e ainda me faz rir sozinha de olhos fechados. Louca, eu diria, mas eu. Sou louca, mas aprendi a ser eu.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Je t'aime


        Eu não ia voltar atrás com aquela viagem. Sabia que aquela escolha seria importante para o meu futuro. Sabia que era isso o que eu queria. Qualquer palavra que ele dissesse serviria apenas para me machucar por saber que ele sofreria com a minha decisão. 
          - Acho melhor a gente terminar. – Ele disse sem me encarar.
As palavras me chocaram e fizeram meu coração acelerar. Como se eu tivesse sido atropelada pela declaração dele. Pensei em tudo que tínhamos vivido e soube que eu não queria perdê-lo. Em meses eu estaria em outra cidade, em outro país. Um lugar tão desconhecido que para ele era como se nem existisse. Eu poderia me aproveitar do que ele havia falado e ir solteira pra Inglaterra. Mas não era isso o que eu queria. Eu o queria pra mim. Pra sempre. E de repente a viagem não importava muito. Falei a primeira frase desesperada que veio na minha cabeça.
          - Tem certeza?  - mas por dentro era “Não faz isso, por favor, eu te amo e não quero te perder!”
          - Não.  – ele respondeu, ainda sem me encarar. - Mas do jeito que está não dá pra continuar.
Era difícil admitir, mas ele estava certo. Dentro de pouco tempo tínhamos brigado muito mais do que o normal. Eu estava cansada. Ele estava cansado. De repente a vontade de desistir do namoro não parecia mais tão apavorante quanto antes. Contudo, no fundo eu sabia que eu não queria um fim, apenas um recomeço.
    ___________________________________________________________

          Desci do avião meio perdida e segui no túnel que dava para a saída. Estava com saudade de tudo. De falar português, de comer a comida brasileira, do calor, da minha família e dos meus amigos.  Mas a ansiedade aumentava ainda mais porque eu sabia que o veria. Seus olhos escuros, seu sorriso meigo, ouviria sua voz. O melhor de tudo era que eu poderia senti-lo. Sentir seu abraço (que era o melhor de todos) e o cheiro do seu perfume. Depois de pegar as malas, ainda tinha que passar pelo free shop. A pressa de chegar me deixou ainda mais desajeitada com as malas e sacolas que eu segurava.  Eu o amava. Tinha certeza disso. Não queria mais ficar longe dele. Mesmo sabendo que ele era chato de vez em quando. Mesmo sabendo que ele iria me provocar como sempre faz, só porque gosta de ver minha cara de irritada. Mesmo sabendo que nos dias dos jogos de futebol eu seria ignorada completamente. Mesmo sabendo que ele ia rir dos meus tombos e brigar comigo por ciúmes. Eu já sabia de tudo aquilo. Mas já sabia também que não importava o que acontecesse ele estaria do meu lado. Sabia que ele me ouviria chorar e me abraçaria quando precisasse. Sabia que ele iria me aconselhar e que me daria razão quando percebesse que estava errado. Sabia que iria me fazer rir com as frases mais ridículas e bobas. Sabia disso naquela hora e sei ainda mais agora. Saí no portão de desembarque e nem precisei procurar o seu rosto entre as pessoas. Ele era o que estava mais próximo da saída, ao lado dos meus pais. Nos abraçamos por um tempo em silêncio e o silêncio nos uniu de uma forma que as palavras não conseguiriam. Depois de um tempo percebi, e percebo a cada dia, que as brigas são tão ínfimas perto da profundidade do amor que construímos juntos. Percebo agora que aprendi a amá-lo do jeito que ele é. Amá-lo nos detalhes, amá-lo nos erros e nos acertos, simplesmente amar. Aprendi que amar é sofrer, é acreditar, é esperar, é suportar. 

“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” ICor. 13-7

“O amor nunca falha” I Cor. 13-8a



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Little Bird...

Português:

Decidi que iria pra Londres sozinha. Todos haviam desistido da viagem e eu nunca desistiria de um sonho. Uma bobeira para alguns, mas para mim era “Londres”. Passei tanto tempo vendo fotos desse lugar e agora eu poderia simplesmente tirá-las eu mesma. Sozinha naquele trem, observei o vôo de um pássaro e senti algo difícil de explicar, um misto de felicidade, ansiedade e alegria ao mesmo tempo. Senti-me como se eu fosse aquele pássaro. A garota do interior que ainda tinha sotaque caipira, aquela que tinha vergonha de fazer perguntas, que às vezes tinha vergonha de falar até em português, quanto mais em inglês. A menina que quando ia dormir na casa das amigas ligava para os pais no meio da noite chorando e querendo voltar pra casa. Essa menina tímida, que escondia sua personalidade às vezes e fingia ser outra pessoa, essa menina que apenas imitava as outras e tinha medo de si mesma, era eu. Mas agora eu havia mudado, e vendo o pássaro percebi que eu tinha aprendido a voar. Aprendi a me comunicar com pessoas de idiomas diferentes, aprendi que eu podia sentir saudade e chorar quando necessário, mas não ligar para a mamãe pedindo pra voltar. Aprendi a lidar com as diferenças, tanto nas pessoas, quanto na comida, no clima, no espaço de convivência. Aprendi a ser eu mesma, do jeito que eu queria ser. Aprendi que crescer não significa não querer voltar pra casa quando está longe. Crescer significa querer voltar pra casa, mas ter a paciência de esperar a hora certa. Compreendi que apesar de saber voar, você também pode se perder, pagar micos ou falar palavras erradas. Mas se perdendo é que a gente encontra o caminho certo e nunca mais esquece. Mas o mais importante do meu aprendizado foi que eu entendi que quanto mais longe se voa, ao final de sua viagem, mais vontade se tem de ir pra casa.

Tenho que agradecer a todos os amigos e professores que fiz aqui, agradecer aos meus amigos que estão me esperando no Brasil e também agradecer ao meu namorado que me fez muita falta esse tempo todo. Mas principalmente tenho que agradecer aos meus pais que acreditaram em mim e tiveram a coragem de me soltar do ninho tendo a certeza de que um dia eu voltaria... E eu sempre vou voltar pra casa.

English:

I decided to go to London alone. Everyone had given up the trip and I never give up a dream. It might seem silly to some, but for me it was "London". I spent so much time looking at photos of this place and now I could just take them myself. Alone on the train, I watched the flight of a bird and I felt something hard to explain, a mixture of happiness, anxiety and joy at the same time. I felt like I was that bird. A country girl who still had a hillbilly accent, that she was ashamed to ask questions, who sometimes was ashamed to speak up in Portuguese, let alone English. The girl that when she went to sleep in the house of her friends would call the parents in the middle of the night crying and wanting to go home. This shy girl, who hid her personality sometimes and pretended to be someone else, this girl who just imitated others and was afraid of herself, it was me. But now I have changed, and seeing the bird I realized that I had learned to fly. I learned to communicate with people speaking different languages, I learned that I could miss and cry when necessary without calling and asking Mom to fetch me back. I learned to deal with differences, both in people and in food, climate and living space. I learned to be myself, the way I wanted to be. I learned that growing up does not mean not wanting to go home when you're away. Growing up is wanting to go home, but having the patience to bide your time. I realized that despite knowing how to fly, you can also get lost or embarrassed by speaking the wrong words. But getting lost is how people find the right way and never forget it. But most important of my learning was that I realized that the further you fly, the more you desire to go home at the end of your trip.

I have to thank all the friends and teachers who I have met here, to thank my friends who are waiting for me in Brazil and also to thank my boyfriend who I missed all this time. But mostly I have to thank my parents who believed in me and had the courage to let me leave the nest making sure that one day I would come back ... And I'll always come home.