Era o seu jeito de olhar. Seu brilho nos olhos que me fazia viajar e romper as barreiras do tempo e do espaço. Era seu tom de voz macio e carinhoso, e suas palavras que poderiam até fazer mal a um diabético tamanha doçura. Era seu toque leve e a delicadeza de seu beijo na minha testa. Era a sua necessidade constante de me fazer entender que você me amava de verdade. Era sua preocupação comigo de querer saber onde eu estava e pra onde iria, se estava sozinha ou não. Era tudo isso que me mostrava o seu amor. Era isso que me fazia ter certeza de que o amor que você tinha declarado por mim, há tanto tempo existia mesmo.
Agora a realidade era outra. Uma realidade dura e cruel em que a preocupação só aparecia de vez em quando e mesmo me relembrando sempre seu amor com as já fatigadas palavras “eu te amo”, elas saíam robotizadas, sem aquele tom de voz específico. Palavras doces foram esquecidas e as conversas soam automáticas. Seus olhos opacos já não têm mais a mesma luz e vivacidade de antes. Agora esses olhos que sempre me diziam todos os seus segredos estão indecifráveis. Meu coração se destroça cada vez que me dou conta dessa distância que nos separa.
Um cartão perdido, uma pergunta que não foi feita, uma ligação ignorada, um livro que não é lido, um passeio que é sempre deixado pra depois. Tudo o que antes poderiam ser considerados apenas detalhes insignificantes, hoje ferem meu coração como lanças. Eu tento, juro que tento, de todas as maneiras te reconquistar, mas parece impossível. E há esse frio que ainda não está congelando, mas consigo sentir. Minha última medida desesperada é tentar mostrar minha infelicidade de maneira sutil, para o caso de você ter pena de mim. Mesmo assim ao que parece você não responde nem a isso. É certo que pena não é amor, mas pelo menos é algum sentimento, o que prefiro ao invés da indiferença que insiste em me trazer em seus olhos todos os dias.
Muito calor pode queimar. Muito frio pode congelar. Devíamos ter escolhido o meio termo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário