Olhei nos olhos dela e percebi que ela havia desviado o olhar.
- Olha pra mim – pedi. – se você não olhar nos meus olhos e repetir o que disse eu não vou acreditar em você!
Seu olhar passou de confusão a certeza. Ela enfim olhou nos meus olhos e com delicadeza explicou:
- Eduardo, eu sinto muito ter que ser assim, mas a verdade é que – ela desviou o olhar por um momento, e depois voltou a olhar nos meus olhos – Eu não te amo mais. Eu te amei, muito, com todas as minhas forças, mas acabou. Eu não achei que você fosse conseguir fazer isso, mas... A verdade é essa. Eu não sinto mais nada por você, nem raiva eu sinto mais.
As palavras traspassavam meu coração como espadas de fogo. Eu não sabia que o amor doía de verdade. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu as contive, de alguma forma.
- Mas... você disse que havia me perdoado, achei que fosse pra isso que viemos aqui, pra nos reconciliarmos, não é isso?
- Eduardo – ela me interrompeu
- Para de me chamar assim Lu! Você nunca me chamou de Eduardo, até quando estava brava, e por favor me explica o que está acontecendo porque eu não quero acreditar no que você está dizendo.
- Eu não sei, eu não sei! – ela começou a chorar – Eu realmente não queria que isso estivesse acontecendo, mas... Eu não sei explicar, só sei que eu não tenho mais vontade de estar com você, de te beijar, abraçar, eu não quero nem ouvir a sua voz mais. Você matou o sentimento que estava aqui, e, eu juro, doeu muito, mas agora não dói mais, tive muita raiva, mas não tenho mais, eu não sinto mais nada... Só sinto...
- Só sente o que? Então você sente algo! O que você sente?
- Indiferença – ela disse com tristeza no olhar. Ela esfregou as mãos, com frio, e as enfiou nos bolsos. Estava contraída de frio e eu desejei com todas as minhas forças poder lhe dar um abraço e aquecê-la e levá-la pra tomar um chocolate quente como fazíamos em todos os finais de semana do inverno. Mas ela não queria mais isso e havia deixado muito claro. Isso não ia mais acontecer.
As lágrimas começaram a cair de meus olhos em um jorro quente e salgado. Parecia que eu estava chorando por todas as vezes que fiquei triste e não chorei.
- Você está chorando! – Foi uma exclamação em forma de pergunta. Ela estava surpresa, nunca havia me visto chorar.
- Me desculpa tá? – ela se recompôs – eu tenho que ir.
Ela esticou o braço, colocou a mão em meu ombro e perguntou:
- Você vai ficar bem? – “pergunta idiota”, pensei. Tentei limpar as lágrimas, mas elas não paravam de sair.
- Não sei – respondi. – espero que sim.
- Também espero. Tchau.
Ela deu as costas e saiu. Senti um tremendo aperto em meu coração.
A dor que eu teria se eu nunca mais a visse, era menor que a dor que eu sabia que iria sentir ao vê-la todos os dias e mesmo assim não poder estar com ela.
Continuei chorando, sem saber o que fazer. Não sabia se corria atrás dela e implorava perdão ou se a deixava ir e desfazer em pedacinhos o que havia restado do meu coração.