quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Frio.

De todas as vezes que o vi, naquela noite ele estava mais lindo. Seus olhos me observavam com admiração e cautela enquanto eu atravessava a rua em direção ao shopping. Sua camiseta preta contrastava com sua pele branca como a neve. Seus olhos me seguiram e eu tentei desviar o olhar, mas nossos olhares finalmente se encontraram. O frio que eu havia sentido até agora foi substituído por um calor, o calor daquele olhar. O vento movia delicadamente meus cabelos. Ele veio em minha direção, confiante, tocou em minha mão , seu toque como sempre, estava quente, me paralisou. Olhou em meus olhos e disse com seu melhor sorriso:

"Você achou mesmo que poderia fugir de mim?"
Respondi com firmeza:
"Se toca, não percebeu que tudo foi em vão? Não dá mais."
Tirei minha mão da dele, do toque que me hipinotizava, me impedia de pensar. Voltei a caminhar em direção à porta de entrada do shopping, quando senti um puxão. Ele me levou pra perto dele, nos deixou próximos, com o rosto dele quase tocando no meu, nossos olhares fixos um no outro, e ele disse com uma certeza na voz:
"A nossa história ainda não acabou"
"Então porque sinto que acabou?"
"Achei que você ainda me amasse" respondeu-me ele, enquanto as lágrimas enchiam meus olhos.
"Eu amo... mas é que ..." fui impedida de completar a frase, interrompida por um beijo que eu conhecia muito bem, um beijo que fez minha cabeça girar com lembranças de tudo o que vivemos. A última lembrança foi pior, era ele beijando outra, a lembrança viva em minha mente, assim como eu a tinha visto semanas atrás. Me agarrei a minha raiva e dor e com isso consegui me desvencilhar do beijo que ele me dava, um beijo cheio de sentimento... comovente até.
"Sabe qual é o seu problema?" - eu disse sem esperar resposta - "Você não me amou o suficiente para se controlar diante da investida de uma garota, e pior, não valorizou o que eu sinto por você. E isso, meu amor, é lamentável...
Dei as costas pra ele sabendo que desta vez ele não viria atrás de mim... nunca mais.
Voltei a sentir o frio cortante, só que agora eu o sentia em meu coração.