Estava no alto da cidade e olhou em redor. O vento frio tocava-lhe a face e esfriava as lágrimas que escorriam pelo rosto. Do outro lado da cidade as pessoas continuavam suas vidas normalmente, como se nada tivesse acontecido, como se o mundo não tivesse acabado de perder uma pessoa maravilhosa, um pai, um marido, um irmão, um amigo. De repente percebeu que até ela mesma e sua família deveriam continuar com suas vidas normalmente. Ela não sabia como. Mais alguém veio cumprimentar-lhe e dar os pêsames pela perda. A morte era quase invisível, mas pairava no ar como uma nuvem negra e pesada. Alguém a chamou para seguir o cortejo fúnebre de seu pai. Ela seguiu, e pensou em como nunca havia se imaginado naquela situação tão cedo. Olhou para o céu e pediu para A Única pessoa com quem ela tinha certeza que poderia contar verdadeiramente. "Oh, Deus consola-me pois o que sinto parece que nunca irá passar". Pensou na morte e em como era possível ver alguém alegre e feliz, bem, em uma semana e na seguinte vê-lo em um caixão, sem vida. Como era possível em um dia chamar a pessoa pelo nome e no dia seguinte chamar simplesmente de corpo.
Baixaram o caixão. Ela observou pela última vez o que representava seu pai naquele momento. Mas ela sabia que ele representava muito mais para ela do que um simples corpo sendo enterrado.
"Adeus"... foram suas últimas palavras dirigidas à terra, que já cobria o caixão daquele que foi e continuaria sendo, para sempre, um herói.
dor
Em homenagem +Adelson+ (in memorian)