quarta-feira, 26 de maio de 2010

um massacre, uma escolha, muitas mortes

Esse texto é meio trágico, mas resolvi refletir a respeito dos soldados alemães da 2ª Guerra.

Relato de um soldado alemão
"O massacre se fazia presente nas nossas vidas todos os dias, nós, soldados alemães não tínhamos escolha, ou não éramos corajosos o bastante para assumir nossas escolhas e sofrer as consequências. Era matar ou morrer, e certamente eu não queria matar ninguém, mas também prezava por minha vida. Aquele monte de corpos de judeus amontoados na vala me dava nojo, estavam todos nus, e seu cheiro podia ser sentido a muitos metros de distância, a putrefação dos mesmos irradiava a maldade dos que os deixaram ali. O local era frio, mas não por causa dos corpos gelados à espera dos abutres que já estavam a caminho, em direção ao odor fétido que os guiava pelos ares... A frieza que ali existia era proveniente dos corações congelados, que se esqueceram que todos somos iguais, todos somos seres humanos. Eu era apenas um covarde no meio da multidão, não fazia sentido participar do assassinato de inúmeras pessoas que nada fizeram para merecer aquilo. Me veio à lembrança a imagem que eu mais tentava bloquear naquele momento, meu amigo judeu Ephraim, ainda como o vi da última vez... muito jovem, com o olhar ainda infantil, sorrindo pra mim. Onde ele estaria naquele momento? Refugiado em algum porão por aí, sem água e sem pão? Ou morto como um animal nas mãos dos nazistas? Esse pensamento me trazia pânico, ele foi meu único amigo verdadeiro, muito mais desinteressado do que meus próprios irmãos... E definitivamente não merecia morrer. Procurei desesperadamente tirar meus olhos dos rostos daqueles judeus amontoados com medo de reconhecer algum rosto. Na guerra ninguém tinha piedade, ninguém era um ser humano de verdade, éramos apenas como animais, agindo por instinto, preocupados apenas em sobreviver. Eu não aguentava mais ver aquele massacre... preferia morrer, era a escolha mais fácil a fazer naquele momento. Era muito difícil acreditar que algo iria melhorar... eu não tinha mais esperança, depois de ter preseciado tantas mortes e tanta maldade espelhada nos olhos dos assassinos, eu realmente me desanimara, mas não totalmente para desistir da vida, eu iria fazer algo pela vida daquelas pessoas ali mortas, ou melhor, pelas pessoas que ainda poderiam morrer. Talvez não fizesse nenhuma diferença para eles, nem para a humanidade, mas para mim faria diferença. Eu não iria mais ficar omisso aquelas mortes, não seria mais um covarde. Eu mataria sim... aqueles que resolveram por um devaneio, que iriam ser assassinos de judeus, eu seria assassino de assassinos."