Esse texto é veeelho... rsrsrs Tah meio confuso mas eu gosto da história!Adoro contos principalmente aqueles de príncipes e princesas... = ]
Quando o príncipe chegou todos já estavam dormindo. Até os empregados já haviam se retirado para seus pequenos quartos para dormirem aconchegantes em suas caminhas. Ele entrou silencioso. A reunião do conselho dos Príncipes do Vale da Cachoeira de Prata havia terminado tarde, como sempre. Príncipe Collin já estava cansado daquela vida de príncipe. Era uma vida realmente vantajosa, mas às vezes, em algumas noites como aquela, ele se cansava dessa vida, e até se sentia sozinho. Subiu as escadas e foi para seu grande quarto. O quarto do “grande” príncipe Collin o príncipe mais importante do vale. Ele já estava cansado desses títulos. Príncipe Collin foi para a escrivaninha que havia em seu quarto, e começou a escrever em seu antigo caderno de anotações.
“O dia de hoje foi realmente cansativo. Pela manhã fui caçar com meu querido pai, que não falava em nada a não ser do quanto ele era feliz em ter-me como filho e de como ficaria orgulhoso quando eu recebesse sua coroa. Eu gosto muito de ser príncipe, mas as pessoas à minha volta pensam que essa tarefa é simples. Não sei bem se quero ser Rei. Queria muito conhecer o mar, dizem que o horizonte é belo e que quando vê-lo nunca mais me esquecerei dele. Meu pai disse que quando eu for Rei poderei conhecer o mar. Será mesmo que algum dia poderei conhecê-lo? Tocar meus pés na areia e ver as ondas baterem nas rochas?Tenho minhas dúvidas. Depois da caçada com meu pai voltei ao castelo e meu almoço estava a minha espera. Certamente eu gostaria de poder escolher o que eu comeria, mas não tive esta escolha. Mais tarde fiz um treinamento de espadas e cavalguei por algum tempo. Retornei ao castelo, tomei um banho delicioso e fui ao jantar do conselho dos “príncipes do Vale da Cachoeira de prata”. E aqui estou agora. Preciso dizer que a reunião de hoje foi exaustiva, com discussões intermináveis e, para variar, as decisões finais eram tomadas ou por mim, ou pelo príncipe Riveriam. Acho que eu não deveria estar aqui, neste castelo, como príncipe, tenho 18 anos e daqui a três anos serei Rei, como diz a tradição do nosso reino. Talvez eu devesse fugir disso tudo, conhecer o mundo e conhecer o mar. Ah! O mar, como eu gostaria de conhecê-lo de perto, sem ter nenhuma preocupação. Eu o conheço apenas por quadros, ou de ouvir as pessoas falarem sobre ele.”
No outro dia, pela manhã, o Rei foi ao quarto de Collin e percebeu sua falta, seu único filho havia fugido, e em cima de sua escrivaninha estava apenas um recado com a seguinte frase:
“Querido Pai, sinto desapontá-lo, mas meu desejo não é ser Rei, por enquanto. Preciso conhecer o mar, talvez eu volte antes dos 21 anos, mas não me espere. Eu o amo muito... perdoe-me.
De seu filho Collin.”
O Rei se decepcionou com seu filho pela primeira vez, e quando as lágrimas estavam prestes a cair, chegou o empregado de sua maior confiança trazendo-lhe a notícia:
— Alteza, um dos cavalos de sua realeza sumiu.
— Eu sei Gaime, meu filho fugiu, mande soldados atravessarem esse país e se for preciso o mundo em busca dele, por favor.
Nesse momento o príncipe Collin estava longe dali, estava cavalgando em busca do mar. Saiu de madrugada do castelo, pegou algumas roupas de empregados pra se disfarçar, recolheu também comida para a viagem e saiu com seu velho amigo Brurni, o cavalo. Estava na floresta de Carminis quando avistou ao longe, uma cabana e um plebeu sentado em um banco na frente dela. Collin diminuiu a velocidade e aproximou-se da cabana, resolveu pedir uma informação, mas ele não podia chamar o jovem de “plebeu”, pois assim ele saberia que Collin era da realeza. Dirigiu-se a ele assim:
— Olá meu bom homem, você poderia me dizer pra onde é o mar?
— Pra dizer a verdade nunca saí dessa pequena casa, gostaria muito de conhecer o mar, mas não sei onde fica.
— Oh! Obrigado.
— Você por acaso não é da Realeza?
— N-N-NÃO, por quê?
— Não sei você fala de um jeito diferente!Por acaso você não gostaria de uma companhia na sua viagem? Como disse: eu nunca saí de minha cabana, e agora que moro sozinho gostaria de viver uma aventura!
Príncipe Collin ficou em dúvida se seria certo, deixar que ele fosse a sua viagem, mas já que estava disfarçado pensou que não haveria nenhum perigo em ir com ele.
— Pode vir se quiser, mas temos que sair agora!
— Tudo bem, vou buscar alguns mantimentos e já vamos.
E os dois começaram sua viagem e o plebeu, que se chamava Péricles foi junto do príncipe em sua jornada. O príncipe disse a Péricles que seu nome era Luan, pois não podia revelar seu nome verdadeiro. Acabaram pedindo informações para um comerciante conhecido de Péricles e foram em direção ao mar. Viajaram por duas semanas até chegarem lá. Durante essas duas semanas os dois viveram muitas aventuras e se tornaram grandes amigos.
Enquanto isso o Rei Kárius, pai de Collin estava em estado de nervos, ele precisava de seu filho e realmente queria que ele voltasse, se ele não voltasse em um mês o príncipe Riveriam assumiria o trono com 21 anos, pois considerariam que Collin havia desistido do trono. Mesmo que Collin voltasse antes de completar 21 anos, se não voltasse nesse prazo de um mês Riveriam assumiria o trono do mesmo jeito. Isso causava grande aflição em Kárius, pois seu sobrinho Riveriam era extremamente ambicioso e se assumisse o reino de Collin, também assumiria seu próprio reino, e ficaria com grande quantidade de terras e riquezas. Riveriam detestava Kárius e com isso poderia tirar dele seu castelo e seus pertences. Kárius estava ficando cada vez mais triste e afligido com isso. Primeiro sua esposa havia fugido com um amante e ele se tornou piada no Reino, foi humilhado por seu irmão e seu sobrinho. Depois recuperou sua fama e poder e agora seu único filho Collin fugiu não se sabe para onde, nem por que.
Péricles e Collin chegaram ao mar. Collin se deliciou com beleza e o som das ondas, tocou os pés na areia e se sentiu tão feliz quanto havia imaginado. Ele sonhava com esse momento desde criança, desde que sua mãe contava-lhe histórias sobre as viagens de seu pai Kárius. Sentiu o cheiro do mar e correu para abraçar a água salgada que vinha do horizonte. O horizonte belo e infinito, onde o sol se punha com grandeza e majestade. Pulou na água e sentiu o gosto do sal em sua boca. Sua pele irradiava felicidade. Quando saiu do mar percebeu que o gosto de água salgada permanecia em seus lábios, viu então que seus olhos transbordavam água, salgada como a do mar.
Deitou-se na areia, e seu amigo Péricles ao sair do mar, deitou-se também. Os dois ficaram em silêncio por um longo tempo e esperaram escurecer.
— Conte-me sua história, Luan, como veio parar aqui, e porque as lágrimas ainda jorram de seu rosto?
— Minha história é complicada demais, conte-me a sua, Péricles.
— A minha também é complicada, mas posso contar. Nasci naquela Cabana onde me encontrou. Meus pais sempre me amaram muito, mas às vezes eu me sentia muito sozinho, sentia falta de alguém. Certa vez até pedi a minha mãe que me desse um irmãozinho, e ela me disse que eu tinha um, em algum lugar do vale, e ela disse também que meu irmãozinho também sentia muito a minha falta. A minha mãe era linda, tinha cabelos cacheados e longos, adorava me contar histórias sobre um grande Rei e suas viagens para o mar, toda noite ela me contava uma e eu sonhava em conhecer o mar, mas sabia que isso nunca aconteceria.
Quando eu tinha 11 anos, estava voltando da casa de meu tio, e quando cheguei em casa minha mãe estava morta no chão e meu pai lutava com um homem, que gritava e dizia que eu era um bastardo, um menino que nunca assumiria o trono e ainda dizia que somente Riveriam, seu filho, seria Rei. Meu pai disse para que eu fugisse para bem longe e eu corri chorando através da floresta, o mais rápido que pude e o mais longe possível. Alguns dias depois voltei à cabana e meu tio estava lá. Ele disse que meu pai havia morrido também. Aqueles dias foram os dias em que mais chorei em toda minha vida. Essa é minha história. Não vai mesmo me contar a sua?
Péricles não havia percebido, mas Collin estava em prantos há muito tempo e levantou a voz e disse:
— MINHA HISTÓRIA É A SUA HISTÓRIA, VOCÊ É MEU IRMÃO!
Os dois se levantaram e Collin abraçou Péricles o mais forte que pôde e chorou como uma criança. Péricles o abraçou também, em silêncio esperando até que Collin esvaziasse os sentimentos em seus braços. Era um turbilhão de emoções para Collin, em um dia só conheceu o mar e seu irmão, que, apesar de não saber que tinha, sabia ao menos que sempre sentiu falta dele. Depois de se recomporem, Collin contou sua história a Péricles o convidou a ir ao castelo, para conhecer Kárius e fazer parte do Reino, reinar com ele. Disse a Péricles que Kárius tinha um bom coração e o aceitaria no Reino. Péricles aceitou voltarem juntos, mas disse que ainda ia pensar se iria para o castelo. Collin o entendeu e deixou que Péricles pensasse durante a viagem.
Os soldados do Rei Kárius ainda estavam em busca de Collin, quando, um mensageiro, enviado de Riveriam disse que deveriam parar as buscas, pois encontraram o corpo de Collin. Era uma grande mentira, Collin estava a caminho do Reino, com Péricles, mas ninguém sabia disso. O Rei Kárius chorou amargamente, mas ainda não perdeu as esperanças, depois do cortejo fúnebre de seu filho anunciou que Riveriam assumiria o trono, assim que acabasse o prazo de um mês para que seu filho aparecesse.
A viagem de volta de Collin e Péricles durou duas semanas. Péricles decidiu conhecer o Reino de Collin e exatamente no dia em que o Rei iria anunciar o reinado de Riveriam, no meio do anúncio Collin e Péricles chegaram. Collin gritou desesperadamente:
— Não faça isso pai! Aqui estou eu! – no mesmo momento em que viu Collin o Rei sorriu e correu para os braços de seu filho de quem tanto sentiu falta!
Riveriam pegou sua espada e estava prestes a atacar Collin e seu pai quando os guardas reais o seguraram e tomaram-lhe a espada e mataram-no, por traição.
As histórias foram esclarecidas e Kárius aceitou Péricles como filho. Collin, aos 21 anos assumiu o reino de seu pai, e Péricles, também quando completou 21 anos assumiu o Trono de Riveriam. Collin casou-se no mesmo dia em que Péricles e suas respectivas esposas foram excelentes rainhas. Os irmãos de mãe se tornaram amigos para a vida toda, e ambos sempre visitavam o mar quando queriam se lembrar de sua mãe e dessa história.